Descrição
Autor(es):
António Nobre
Texto da Contracapa
(…) é, na verdade, um documento humano aquela colecção de cartas e postais inventariados com extrema solicitude, tratados com esmero carinhoso, anotados com diligência exemplar e, sobretudo, prefaciados por quem ninguém, no estudo biográfico, igualou ainda o autor de António Nobre. (…) Quem é que, com mais subtil inteligência e fina sensibilidade, do poeta procurou surpreender a alma, o espírito e a arte? O Prefácio da obra dá evidência ao que havia de intrinsecamente romântico em Nobre, se considerarmos no Romantismo, como rasgo mais característico, a hipertrofia do eu, que, desprendido da sua quase anuladora integração no sistema social clássico, a si próprio se constitui em centro do mundo criado peto que justamente se chamou o egotismo romântico. (…) À primeira vista. parecerá contraditório que se proclame Só uma personalidade que tanto se expande em correspondência com tantos amigos. Simplesmente, não entretem os amigos, senão muito raramente, de problemas alheios à sua própria pessoa. Ele é sempre o centro de interesse. Lendo as cartas de Antero. de Eça de Queirós, de Oliveira Martins. patenteiam-se-nos largos horizontes do mundo, às vezes distendendo-se para o que o transcende. Em António Nobre, é ele que, com exclusão de tudo o mais, se põe como objecto de todas as atenções dos seus correspondentes. (…) De qualquer maneira, o carácter pessoalíssimo da Correspondência confere-lhe a categoria de documento não apenas humano, mas pessoalpessoal como nenhum outro existe na nossa Literatura. É naquele húmus que mergulham as raízes que, emergindo e crescendo ao sol, deram a florescência imortal da obra lírica do Autor. Depois, a Correspondência vai dos tempos de Coimbra -o Vale da Sebenta- em que ele como poeta e reformador, foi isento da estupidez do canelão, até os últimos dias do seu calvário de tuberculoso, dilacerado pela tosse, esquelético e sem força, repelido de pensões, evitado pelos que lhe temem o contágio, concentrando toda a vida, a extinguir-se, na esperança imorredoura de salvar-se. A correspondência é assim sua trágica autobiografia, a que nada falta do que de mais significativo nos pode facilitar o conviver com o homem e surpreender a génese do Artista. (Critica de Hernâni Cidade à 1ª edição de Correspondência in Colóquio nº 48)
Editora:
Biblioteca de Autores Portugueses
Livros novos nunca usados.
Portes incluídos para Portugal, Correio Normal.








